Notícias 25/03/2026

Câncer de intestino: diagnóstico precoce pode garantir até 90% de cura, diz especialista


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A importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de intestino foi destaque no 96º episódio do podcast A Voz do Médico, promovido pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed). Em sintonia com a campanha Março Azul-Marinho, voltada à conscientização sobre o câncer colorretal, o programa reforçou que a identificação da doença ainda em estágios iniciais é decisiva para ampliar as chances de cura e reduzir a mortalidade.

Apresentado pelas diretoras do Sindimed, Dra. Gilmara Carvalho e Dra. Andreza Acioli, o episódio recebeu o cirurgião oncológico Dr. José Geraldo Melo Bezerra, que iniciou sua participação relembrando as origens na medicina.

Filho do Dr. José Geraldo Dantas Bezerra, referência pioneira na oncologia em Sergipe, ele contou que, embora inicialmente não pretendesse seguir a mesma área, acabou sendo influenciado pelo exemplo do pai.

“Me identifiquei com a área até mesmo pelo cuidado que ele tinha com os pacientes. Segui pela cirurgia oncológica, um caminho diferente, mas com o mesmo propósito”, afirmou.

Doença endêmica

Durante o bate-papo, o especialista alertou para o avanço da doença no País. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de cerca de 45 mil novos casos anuais, com aproximadamente 20 mil mortes.

“O câncer de intestino já pode ser considerado uma doença endêmica no Brasil. Por isso, precisamos falar cada vez mais sobre prevenção”, destacou.

Sinais de alerta

Entre os principais sinais de alerta estão alterações no hábito intestinal, como prisão de ventre ou diarreia persistente, presença de sangue nas fezes, anemia, fraqueza, perda de peso e dores abdominais.

O médico reforçou que sintomas muitas vezes atribuídos a problemas simples, como hemorroidas, podem esconder quadros mais graves e devem ser investigados.

Principal exame

A colonoscopia foi apontada como o principal exame para detecção precoce da doença. A recomendação é que pessoas sem histórico familiar iniciem o rastreamento aos 45 anos. Já aquelas com casos na família, especialmente parentes de primeiro grau, devem antecipar o exame para os 40 anos.

“É um exame seguro, que não precisa ser repetido com frequência e pode fazer toda a diferença”, ressaltou.

Fatores de risco

O especialista também abordou os fatores de risco, divididos entre preveníveis — evitando alimentação rica em carnes vermelhas, gorduras e ultraprocessados, além do sedentarismo e da obesidade — e não preveníveis, como idade, histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais e síndromes genéticas.

Tratamento

Em relação ao tratamento, ele explicou que o estadiamento da doença é decisivo. Nos casos iniciais, quando o tumor está restrito ao intestino, a chance de sobrevida em cinco anos chega a 90%.

Já em estágios mais avançados, pode ser necessário associar cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Nos casos metastáticos, as possibilidades de cura são reduzidas.

Baixa oferta de exames
 
No recorte regional, Dr. José Geraldo destacou a precariedade do setor público na oferta de exames preventivos. Em Sergipe, a colonoscopia ainda está concentrada em poucas unidades, como o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), o Hospital de Cirurgia e o Hospital Universitário.

Ele defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas à prevenção e à detecção precoce na atenção primária.

Apesar dos desafios, o médico reconheceu avanços na rede oncológica do estado, como os recém-inaugurados Hospital de Amor, em Lagarto, e o Hospital do Câncer de Sergipe Governador Marcelo Déda Chagas, na capital. 

Ao final, ele deixou um recado direto à população. “Não há motivo para preconceito. Fazer colonoscopia é um cuidado com a vida. A prevenção ainda é a melhor forma de evitar o sofrimento causado pela progressão da doença”, concluiu.

O episódio completo está disponível no canal oficial do podcast A Voz do Médico no YouTube.

Por Joangelo Custódio, da assessoria de Comunicação Sindimed.