O podcast A Voz do Médico, promovido pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), levou ao ar seu 94º episódio com foco na obesidade e seus efeitos na saúde feminina. A edição integra a programação especial do Mês da Mulher.
O programa foi apresentado pelas diretoras do Sindimed, Dra. Gilmara Carvalho e Dra. Andreza Acioli, que receberam a endocrinologista Dra. Ingrid Pereira para um bate-papo sobre os desafios no diagnóstico e no tratamento da obesidade.
Durante a conversa, a especialista destacou que a obesidade é uma doença crônica, de alta prevalência, que afeta homens e mulheres, mas que traz repercussões específicas para o público feminino. Entre os principais impactos estão alterações hormonais, dificuldades na fertilidade, irregularidades menstruais, além de efeitos importantes na autoestima e na saúde mental.
A médica também chamou atenção para o avanço da doença no mundo. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 apontam que cerca de 3 bilhões de adultos vivem com obesidade, além de mais de 60 milhões de crianças e adolescentes. A estimativa é de que esse número chegue a 4 bilhões até 2035. No Brasil, o cenário segue a mesma tendência: três em cada dez adultos são obesos, com aumento progressivo entre os mais jovens.
“A obesidade é uma pandemia silenciosa. Não costuma causar dor imediata, mas está associada a mais de 200 doenças”, ressaltou, ao mencionar os impactos diretos nos custos da saúde pública e as limitações do sistema para oferecer tratamento adequado.
Outro ponto abordado foi o acesso restrito a terapias mais modernas. Medicamentos como a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, têm apresentado resultados relevantes no controle da obesidade e do diabetes tipo 2, mas ainda estão fora do alcance da maior parte da população.
A especialista também fez um alerta para o uso indiscriminado dessas medicações, destacando a necessidade de cautela e acompanhamento médico.
“Há uma elitização do tratamento medicamentoso”, afirmou a especialista, ao destacar que o uso dessas terapias exige cautela e acompanhamento médico. Ela ressaltou que, diante de dúvidas, a base do cuidado continua sendo a adoção de hábitos saudáveis.
Dra. Ingrid também ressaltou que o enfrentamento da obesidade passa por mudanças consistentes no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física, sono adequado e controle do estresse. Fatores emocionais, além do consumo de álcool e do tabagismo, também exercem influência direta sobre a doença.
Ao final, a endocrinologista disse que a obesidade não deve ser tratada como falta de esforço individual. “Ninguém é obeso porque quer. É preciso reconhecer a doença e buscar ajuda”.
O episódio completo está disponível no canal oficial do podcast A Voz do Médico no YouTube.
Por Joângelo Custódio, da assessoria de Comunicação Sindimed.