A direção do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed) participou, nessa quinta-feira, 12, em Maceió (AL), da abertura do 1º Congresso da Mulher Médica. O evento é promovido pela Federação Médica Brasileira (FMB), em parceria com o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL), e reúne profissionais médicas, lideranças sindicais e estudantes de medicina de várias regiões do país para discutir os desafios e avanços da participação feminina na medicina.
A comitiva do Sindimed é composta pelo presidente da entidade, Dr. Helton Monteiro, e pelo diretor Dr. Brunno Goes, que participaram de diversas reuniões institucionais com representantes da Federação Médica Brasileira ao longo da programação do evento. Também integram a delegação as diretoras Dra. Teresa Cristina Wiltshire, Dra. Andreza Acioli e Dra. Angélica Henriques Guerra, que acompanham de forma ativa e assídua a programação científica, os debates e as atividades promovidas durante o congresso.
O encontro surge em um momento importante para a medicina brasileira, reunindo médicas, lideranças sindicais e acadêmicas para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres na profissão, além de refletir sobre caminhos para fortalecer a valorização feminina no exercício da medicina.
A abertura oficial foi conduzida pelo presidente da FMB, Dr. Fernando Mendonça, que destacou a relevância de espaços de diálogo e reflexão sobre a realidade vivida pelas mulheres médicas no país. Segundo ele, iniciativas como o congresso contribuem para ampliar o debate sobre igualdade de oportunidades, respeito e valorização profissional.
Durante seu discurso, o dirigente também mencionou o caso ocorrido recentemente em Sergipe, em que uma médica sofreu violência no ambiente de trabalho e, após denunciar a situação, acabou sendo desligada da instituição onde atuava. O episódio foi citado como exemplo da necessidade de fortalecer mecanismos de proteção às profissionais da saúde.
Na sequência, demais integrantes da mesa de abertura se pronunciaram, entre elas a diretora da Mulher Médica da Federação, Dra. Edilma de Albuquerque Lins Barbosa, e a presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Dra. Silvia Mara Gomes Melo, que reforçaram o papel das entidades médicas na defesa das profissionais e na promoção de condições mais justas e igualitárias no exercício da medicina.
Mercado de trabalho e precarização em debate
A primeira mesa-redonda do congresso reuniu as médicas Ana Carolina Tabosa, Andréa Lúcia Martins Donato, Janice Painkow, Sarah Farias e Malu David, que discutiram o atual cenário do mercado de trabalho médico no Brasil.
Entre os temas abordados estiveram os diferentes vínculos de trabalho existentes na área da saúde, o avanço da chamada “pejotização” e as transformações nas relações profissionais provocadas pela expansão da saúde suplementar.
Ao transcorrer de sua apresentação, a médica Ana Carolina Tabosa destacou que, atualmente, as mulheres já representam 51% da categoria médica no país. Apesar desse crescimento expressivo, ela observou que ainda persistem desafios estruturais relacionados à garantia de direitos, à equidade nas condições de trabalho e à valorização profissional.
Já a médica Andréa Lúcia Martins Donato chamou atenção para o cenário da saúde suplementar no Brasil, que, segundo ela, há anos apresenta crescimento limitado na cobertura da população, o que acaba impactando diretamente as relações entre médicos, operadoras de planos de saúde e pacientes.
Outro ponto discutido durante o debate foi o avanço da chamada “uberização” da medicina, fenômeno que tem provocado mudanças significativas nas formas de contratação e na estabilidade profissional dos médicos, trazendo preocupações quanto à autonomia da prática médica e à garantia de direitos trabalhistas.
As discussões reforçaram a importância da atuação das entidades sindicais na defesa de condições dignas de trabalho, remuneração justa e valorização da carreira médica.
A mesa-redonda marcou o encerramento das atividades do período da manhã.
Saúde da mulher médica
No período da tarde, a programação foi dedicada à discussão sobre a saúde da mulher médica, com reflexões sobre desigualdade de gênero, sobrecarga profissional e os impactos do exercício da medicina na saúde física e mental das profissionais.
Dados apresentados durante o congresso indicam um cenário preocupante. Segundo levantamentos de entidades médicas, profissionais médicas apresentam índices de suicídio superiores aos dos médicos homens, diferentemente do que ocorre na população em geral, em que os homens registram maiores taxas de suicídio.
Outro dado destacado aponta que a expectativa de vida das mulheres médicas pode ser de até dez anos menor quando comparada à das mulheres da população em geral, resultado associado, entre outros fatores, à intensa carga de trabalho, à pressão profissional e à dificuldade de conciliar carreira e vida pessoal.
Os debates também abordaram os efeitos da precarização das relações de trabalho, a necessidade de políticas institucionais de proteção à saúde mental e a importância de reconhecer os impactos do adoecimento psíquico no exercício da profissão.
Violência contra médicas
As atividades da tarde foram encerradas com a conferência da advogada Dra. Helenice de Moraes, que apresentou uma análise sobre os diferentes tipos de violência enfrentados por médicas no exercício da profissão.
Durante sua apresentação, ela destacou dados de uma pesquisa realizada em 2023 pela Sociedade Médica Brasileira em parceria com a Associação Paulista de Medicina. O levantamento, realizado com 1.443 médicas, revelou que 62,6% já sofreram assédio sexual ou moral no ambiente de trabalho, enquanto 70% relataram ter enfrentado algum tipo de preconceito de gênero ao longo da carreira.
A palestra detalhou as diversas formas de violência e assédio que podem ocorrer no ambiente hospitalar e nas instituições de saúde, reforçando a necessidade de políticas institucionais, medidas jurídicas e mecanismos de proteção capazes de garantir segurança, respeito e igualdade para as profissionais da medicina.
Homenagens
Encerrando a programação do dia, o evento promoveu uma cerimônia especial em homenagem às mulheres que participaram da fundação e da construção da Federação Médica Brasileira, marcando também os 10 anos de criação da entidade.
O 1º Congresso da Mulher Médica continua nesta sexta-feira, 13, reunindo médicas, lideranças sindicais e estudantes de diversas regiões do país em uma programação dedicada à troca de experiências, debates e reflexões sobre o presente e o futuro da medicina exercida por mulheres no Brasil.
Por Mércia Oliva com a colaboração de Joangelo Custódio, jornalistas da assessoria de Comunicação do Sindimed
Fotos: Mércia Oliva, Ascom/Sindimed