Notícias 06/03/2026

Saúde da mulher é destaque no podcast com a Dra. Gabriela Moura


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Em alusão ao mês de março, período dedicado à valorização, ao cuidado e à conscientização sobre a saúde feminina, o 93º episódio do podcast A Voz do Médico recebeu a ginecologista e obstetra Dra. Gabriela Gomes Moura de Oliveira, médica da Rede Primavera Saúde, parceira do canal. O programa é uma iniciativa do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed) e foi apresentado pelo vice-presidente da entidade, Dr. Argemiro Macedo, e pelo diretor Dr. Alfredo Andrade.

Especialista em Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) e ginecologia endócrina, a médica tirou dúvidas sobre prevenção e diagnóstico das principais doenças que afetam a saúde feminina, com destaque para câncer de mama, câncer do colo do útero, infecções sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos.

Câncer de mama 

Durante o episódio, a médica destacou a importância do rastreamento precoce do câncer de mama. Segundo ela, o Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia anual a partir dos 40 anos de idade.

O alerta se justifica pelos números, pois o câncer de mama segue sendo o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil e no mundo. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 73 mil novos casos por ano no Brasil no triênio 2023-2025. No cenário global, a doença registra aproximadamente 2,3 milhões de novos casos anuais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Dra. Gabriela chamou atenção para as dificuldades de acesso ao diagnóstico em parte da população.
“Infelizmente a mamografia não é um exame tão acessível a todas as camadas da população. A partir do momento que há uma detecção ou alteração, até essa paciente chegar ao serviço de oncologia, às vezes a trajetória é mais extensa, e isso dificulta o tratamento e a cura”, alertou.

Novo exame 

Outro tema relevante abordado no podcast foi o avanço nas diretrizes de rastreamento do câncer do colo do útero. Segundo a médica, o SUS já incorporou o exame PCR para detecção do HPV como método de rastreio. Embora ainda esteja em fase de implementação prática nos serviços, a medida já integra as novas diretrizes de saúde pública.

O exame deverá ser indicado para mulheres a partir dos 25 anos que já iniciaram atividade sexual, permitindo identificar precocemente o vírus associado ao desenvolvimento do câncer do colo uterino.

A especialista também destacou sinais de alerta que precisam ser investigados, tais como: sangramento durante a relação sexual; aumento anormal do fluxo menstrual; secreção com odor forte; alterações visíveis no colo do útero durante exame ginecológico.

Nesses casos, a recomendação é a realização da colposcopia, exame que permite avaliar com mais precisão possíveis lesões.

Rastreamento de ISTs 

A ginecologista também ressaltou a importância do diagnóstico precoce de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Atualmente já é possível rastrear gonorreia e clamídia por meio de exames de PCR, especialmente em pacientes com menos de 25 anos que iniciaram a vida sexual precocemente.

Segundo ela, essas doenças costumam ser silenciosas. “Muitas dessas infecções são assintomáticas. Mesmo sem sintomas, se o exame for positivo, o tratamento deve ser realizado”, explicou.

Esses testes ajudam no controle das ISTs e também na prevenção de complicações futuras, inclusive aquelas relacionadas ao câncer do colo do útero, já que a infecção pelo HPV é um dos principais fatores de risco.

Vacinação contra HPV 

Outro ponto enfatizado foi a vacinação contra o HPV, considerada uma das principais estratégias de prevenção do câncer cervical. A vacina é indicada para meninos e meninas entre 9 e 15 anos. A médica também lembrou que vítimas de abuso sexual e pessoas imunossuprimidas têm direito à vacina independentemente da idade.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina quadrivalente, enquanto a rede privada disponibiliza a versão nonavalente, que protege contra um número maior de subtipos do vírus.Segundo a especialista, quem recebeu a vacina quadrivalente no SUS pode, se desejar, complementar a proteção com a nonavalente na rede privada.

Estilo de vida 

Durante a conversa, a médica também chamou atenção para fatores comportamentais associados ao câncer de mama. Entre eles, a obesidade e o sedentarismo.De acordo com ela, mulheres com obesidade têm maior probabilidade de desenvolver a doença, o que reforça a importância da prática de atividade física e da adoção de hábitos saudáveis.

Métodos contraceptivos 

Dra. Gabriela também trouxe orientações sobre planejamento reprodutivo e prevenção de ISTs. A médica recomendou o uso de preservativos como forma essencial de proteção contra infecções sexualmente transmissíveis.

Ela ainda destacou a importância dos métodos contraceptivos de longa duração, como o DIU e o Implanon, implante hormonal subcutâneo. Segundo ela, unidades básicas de saúde já estão sendo capacitadas para ampliar a oferta do implante contraceptivo.

Prevenção

Ao longo da conversa, a Dra. Gabriela destacou que a prevenção, o acompanhamento médico regular e o acesso aos exames são fundamentais para reduzir a incidência e a mortalidade por doenças que ainda afetam milhares de mulheres.

O episódio completo do podcast A Voz do Médico pode ser assistido no canal do Sindimed no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=SyuENEPJYnI

Por Joângelo Custódio, assessoria de comunicação Sindimed.