Notícias 09/02/2026

Podcast A Voz do Médico abre 2026 com debate esclarecedor sobre hanseníase


compartilhar notícia

O podcast A Voz do Médico, programa idealizado pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), iniciou oficialmente sua quarta temporada em 2026 com um tema de grande relevância para a saúde pública: a hanseníase. O 91º episódio, primeiro do ano, foi gravado na semana passada e contou com a participação da médica dermatologista Dra. Mayse Pereira Souza Barros, especialista no diagnóstico e acompanhamento das doenças de pele.

Durante a entrevista, a médica abordou de forma didática os principais aspectos da hanseníase, uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que ainda carrega preconceitos e muita desinformação. Apesar disso, ela reforçou que a enfermidade tem tratamento gratuito, cura e controle eficaz quando identificada precocemente.

A especialista alertou que Sergipe é considerado um estado endêmico da doença, realidade que acompanha um cenário mais amplo, já que o Brasil ocupa atualmente o segundo lugar no ranking mundial de casos de hanseníase. "Trata-se, portanto, de uma enfermidade antiga, persistente e que ainda representa um importante problema de saúde pública em escala global".

A hanseníase atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo provocar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas, geralmente com perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, dor e temperatura. Outros sinais comuns incluem formigamento, dormência em mãos e pés, caroços pelo corpo e fraqueza muscular. Segundo a especialista, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas e garantir uma vida normal ao paciente.

Dra. Mayse destacou ainda que pessoas que convivem ou têm contato próximo com pacientes diagnosticados devem realizar acompanhamento regular, como forma de prevenção e detecção precoce. Ela chamou atenção também para a importância da conscientização na atenção básica, ressaltando que médicos, enfermeiros e equipes de saúde devem estar cada vez mais atentos aos sinais iniciais da doença, fortalecendo a vigilância e o cuidado nos postos e unidades de saúde.

Outro ponto enfatizado foi o combate ao preconceito. Historicamente associada ao isolamento social, a hanseníase ainda enfrenta barreiras culturais que dificultam o diagnóstico e o tratamento. A médica reforçou que pacientes em tratamento não transmitem a doença e podem manter uma vida social, profissional e familiar plenamente ativa. Ela lembrou ainda que apenas o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o tratamento completo e gratuito, o que reforça a importância do fortalecimento da rede pública.

Formada em Medicina pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e especialista em Dermatologia também pela UFS, Dra. Mayse atua no Hospital Primavera, nossa parceira do podcast, é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e trabalha na linha de frente do diagnóstico e acompanhamento das dermatoses infecciosas.

Assista à entrevista completa em nosso canal no YouTube. 

Por Joangelo Custódio, assessoria de Comunicação Sindimed.