Notícias 18/11/2025

Com salários atrasados, cerca de 1000 médicos credenciados paralisarão no dia 24 e cogitam demissão em massa


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O Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed) realizou, na noite dessa segunda-feira, 17, uma assembleia geral, no formato on-line, com os médicos credenciados da Secretaria de Estado da Saúde (SES). O encontro teve como objetivo discutir a grave situação de atrasos salariais enfrentada pela categoria, que denuncia estar sem receber desde setembro deste ano, um cenário classificado pelos profissionais como “inadmissível”. Ao todo, quase 80 médicos participaram da reunião virtual, onde puderam expor dúvidas, relatar problemas e dialogar diretamente com a diretoria sindical.

A assembleia foi conduzida pelo presidente do Sindimed, Dr. Helton Monteiro, pelo vice-presidente, Dr. Argemiro Macedo, e pelo diretor Dr. Alfredo Andrade. Logo na abertura, Dr. Helton foi enfático ao abordar a gravidade da situação. “Três meses de atrasos. Não tem o que se discutir. É algo absolutamente inaceitável”.

Durante a reunião, os médicos relataram preocupações que vão além dos atrasos. Um dos profissionais presentes destacou o avanço das Organizações Sociais (OSs) na gestão da saúde em Sergipe. “A gente vê toda essa situação de atrasos; as Organizações Sociais entrando no governo com força… Tem um hospital prestes a ser inaugurado, o Hospital do Câncer, e não sabemos qual será o vínculo dos profissionais. Provavelmente será por OS, infelizmente. Esse tipo de contratação vai se fortalecendo no Estado. O próprio governador já disse que ‘as OSs são caminho sem volta’, e eles estão pouco preocupados com a coisa pública”, afirmou.

Diante das inquietações, Dr. Helton reforçou que o Sindimed é veementemente contra esse modelo de gestão, por entender que representa falta de compromisso e responsabilidade ao transferir para terceiros aquilo que deveria ser gerido diretamente pelos governantes.

“Nós somos firmemente contra esse modelo que abre espaço para precarização e irregularidades na contratação dos médicos. Aqui em Sergipe, vemos ofertas de contratos em diversas modalidades, como PJ, credenciamento e até na modalidade de sociedade de contas, em que os médicos viram sócios de uma empresa com várias pessoas. Isso é ilegal e inconcebível pela Receita Federal. Vamos lutar para que vocês, mesmo contratados pelas OSs, sejam contratados via CLT, com direito a décimo terceiro, férias e pagamento até o quinto dia útil.”

Ele complementou que o Sindimed, juntamente com a Frente Ampla Contra as Terceirizações, permanece mobilizado e atento ao avanço desse modelo de gestão, reforçando que continuará atuando para combater a precarização e defender vínculos trabalhistas justos e transparentes.
Na sequência, o líder sindical reforçou: “Hoje, vocês estão em situação de precariedade, e o Sindimed não vai largar a mão de vocês. Nossa assessoria jurídica, comunicação, canais de denúncia e fiscalizações estarão junto com vocês. Temos casos graves, profissionais sendo demitidos para dar lugar a parentes de prefeito e, no extremo da precarização, uma colega assediada sexualmente ser demitida no dia seguinte. Isso é o cúmulo”, relatou, referindo-se ao caso da médica que sofreu tentativa de estupro numa UPA de Lagarto e foi desligada do serviço pela Prefeitura.
 
O vice-presidente do Sindimed, Dr. Argemiro Macedo, relatou que a luta exigirá firmeza e continuidade. “Será um caminho de dificuldade. Em abril deste ano estivemos na Maternidade Lourdes Nogueira e ouvimos relatos de atrasos salariais da empresa INTS. Para essas organizações, atrasar salário parece ser algo normalizado. Só que isso não pode ser normal para nós. Com um movimento sindical firme, podemos emparedar a Secretaria de Saúde, mas é preciso um movimento contínuo. O médico precisa se enxergar como trabalhador e lutar em conjunto, não esperar a boa vontade do gestor”, frisou.

O diretor Dr. Alfredo Andrade também reforçou a importância da união da categoria e da filiação ao Sindicato. “Nós só conseguimos enfrentar esses problemas quando estamos organizados. O Sindicato é a ferramenta coletiva que protege, orienta e dá força aos médicos. Cada profissional que se filia fortalece a luta, amplia nossa capacidade jurídica, política e mobilizatória. É com união que conseguimos pressionar o Estado e garantir dignidade laboral. Sozinho, o médico é vulnerável, juntos, somos uma categoria forte”, observou.

Encaminhamentos

Após ampla discussão, os médicos credenciados, que no Estado totalizam cerca de 1.000, em conjunto com o Sindimed, deliberaram pela paralisação das atividades no dia 24 de novembro de 2025, decisão que será oficialmente comunicada pelo Sindicato aos órgãos e instituições competentes. 

Ficou definido também que todos os ritos legais serão cumpridos, garantindo a manutenção de, no mínimo, 50% dos profissionais nos setores de urgência e emergência. 

Além disso, o Sindimed tentará realizar, nesta terça-feira, 18 de novembro, uma reunião extraordinária com o secretário de Estado da Saúde, Dr. Cláudio Mitidieri, e com a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, com o objetivo de apresentar o indicativo de paralisação, discutir as pautas da assembleia e buscar um acordo imediato para estabelecer uma data fixa de pagamento salarial mensal.

O Sindimed ressalta que permanecerá acompanhando de perto cada denúncia e cada médico, garantindo suporte jurídico e institucional. “A luta é para assegurar condições dignas de trabalho e respeito à categoria médica, essenciais para que a população receba um atendimento de qualidade”, concluiu o presidente.

Por Joangelo Custódio, assessoria de Comunicação Sindimed.