Notícias 27/08/2025

Sindimed une forças em reunião histórica contra violência a médicos em Sergipe


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Em meio à escalada de violência que tem vitimado diretamente os profissionais de saúde, o Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed) promoveu, nesta terça-feira, 26, em seu auditório, um encontro histórico em resposta à crise. O evento marcou um passo decisivo na formação de uma frente comum contra esse cenário alarmante.

Reuniram-se representantes de diversas esferas de poder, incluindo o Conselho Regional de Medicina (CRM), o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Ministério Público Estadual (MPE), Conselhos de Saúde, parlamentares e gestores do Executivo estadual e municipal. Todos sentaram-se lado a lado com um propósito unificado: articular estratégias integradas contra a violência crescente que ameaça a classe médica e demais trabalhadores da área da saúde.

Classificado pelos participantes como "histórico" e "urgente", o encontro estabeleceu como meta principal a construção de um pacto intersetorial. O objetivo é somar esforços em diversas frentes, abrangendo medidas preventivas, jurídicas e punitivas, para, em última instância, assegurar a proteção dos profissionais e a continuidade dos serviços de saúde à população sergipana.

Logo na abertura, o presidente do Sindimed, Dr. Helton Monteiro, apresentou números alarmantes. “Um médico é agredido a cada duas horas no Brasil. Em 2024, já são 4.562 casos, doze por dia. As agressões variam de ameaças e desacatos a lesões corporais graves”, afirmou, enquanto projetava os dados em tela. 

Ele lembrou que, só em Sergipe, 310 boletins de ocorrência foram registrados na última década, a maior parte em UBS e emergências. “O que vemos em nosso estado é um reflexo do quadro nacional. Médicos estão sendo atacados justamente nos locais onde a população mais precisa de atendimento”, frisou.

Monteiro destacou ainda que a realidade preocupa a ponto de ganhar repercussão nacional. “Recentemente, o Fantástico (TV Globo) esteve em Itabaiana para mostrar a violência no Hospital Regional. Isso nos dá a dimensão do problema e da urgência em enfrentá-lo.” 

Os dados apresentados mostraram que, entre 2013 e 2024, foram registradas 38.074 ocorrências de violência contra médicos no país, segundo o CFM. Este ano já é o mais violento da série histórica. O cenário internacional não é diferente: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 8% e 38% dos profissionais de saúde já sofreram violência física, e nos Estados Unidos o número chega a 76% quando se incluem casos de violência verbal.

Além da violência física e moral, o encontro também discutiu os impactos na saúde mental da categoria. “Quase metade dos médicos no mundo sofre burnout; no Brasil, quase 40% enfrentam algum transtorno mental, índice que chega a 50% entre os mais jovens”, destacou Monteiro.

Reações das autoridades

O encontro contou com posicionamentos firmes e diversos, todos apontando para a necessidade de união.

"Estamos diante de uma epidemia silenciosa que ameaça não apenas a integridade dos profissionais, mas a própria sustentabilidade do sistema de saúde. Sergipe registrou 114 ocorrências apenas no ano passado, e muitos casos sequer são notificados. Precisamos de políticas protetivas urgentes, campanhas de conscientização e o engajamento de gestores e da sociedade para reverter esse cenário”, alertou o presidente do CRM, Dr. Jilvan Pinto Monteiro.

O vereador Iran Barbosa considerou a iniciativa “fundamental”. Em sua fala, destacou que não basta conhecer os números alarmantes. “Nós não podemos tolerar nenhum tipo de violência. É urgente estabelecer políticas públicas para enfrentar essa realidade. E isso passa, sobretudo, pela valorização dos médicos e trabalhadores da saúde, salários dignos, carreira estruturada e respeito às condições de trabalho”, disse.

A vereadora Sônia Meire reforçou o alerta sobre a sobrecarga no SUS. Para ela, a pejotização e a falta de concursos públicos também representam formas de violência contra os profissionais. “A população cresce, mas não cresce o número de médicos. É preciso ampliar equipes, realizar concursos. Se o SUS quer ser universal, precisa ter gente para atender. Essa reunião é um passo importante para unirmos esforços”, afirmou.

Na mesma linha, o vereador Levir Oliveira parabenizou o Sindimed pela mobilização. “É uma iniciativa necessária. A segurança dos médicos e dos profissionais de saúde é condição para que todo o sistema funcione melhor”, avaliou.

Representando o CFM, a médica Ana Jovina chamou atenção para a gravidade do cenário. “A violência contra profissionais de saúde é uma situação extremamente preocupante. Sem união entre instituições e sem compreender de fato as consequências desse fenômeno, não sairemos do lugar. Este encontro é um começo para um enfrentamento sério.”

A promotora do MPE, Alessandra Pedral, considerou a proposta de uma campanha conjunta um dos pontos altos da reunião. “É preciso dar visibilidade ao tema, sensibilizar a população. Outro aspecto relevante é monitorar os locais de maior incidência de agressões para que possamos direcionar políticas públicas e medidas de segurança”, observou.

Já o vereador Élber Batalha relacionou a violência sofrida por médicos ao adoecimento social. “Vivemos uma sociedade psicologicamente doente, e muitas vezes essa dor se traduz em agressividade contra profissionais que estão apenas cumprindo seu papel. É urgente conscientizar a população e proteger esses trabalhadores.”

A deputada Linda Brasil chamou atenção para as causas estruturais. “Não há como enfrentar a violência sem enfrentar a falta de valorização, as más condições de trabalho e a desigualdade social. É preciso garantir segurança, mas também dignidade para quem cuida da saúde da população”, disse.

A secretária municipal de Saúde, Débora Leite, reiterou o apoio da Prefeitura. “Estamos juntos neste enfrentamento. Sergipe precisa reduzir gargalos e ampliar equipes. Já projetamos uma nova unidade de saúde na Zona de Expansão e queremos reforçar a presença de pediatras nas unidades de saúde da família. O profissional precisa sentir-se seguro e acolhido no ambiente de trabalho”, afirmou.

A deputada estadual Dra. Lidiane Lucena, que não pôde comparecer, enviou mensagem em que lembrou sua experiência de uma década em urgência e emergência. “Sei o quanto é desafiador exercer a medicina em meio a tantas adversidades. A violência compromete não só o médico, mas o atendimento à população. Por isso, apresentei o Projeto de Lei nº 491/2024, idealizada pelo Sindimed, que cria a Campanha Outubro Branco em Sergipe, dedicada à valorização e ao respeito aos profissionais de saúde”, ressaltou.

Encaminhamentos

Como encaminhamento central, as entidades decidiram lançar uma campanha educativa voltada à sociedade, com foco em explicar o papel do médico e reforçar a importância do respeito a quem está na linha de frente do atendimento. Também ficou acordado que haverá monitoramento dos pontos mais críticos, para subsidiar ações de segurança e gestão.

Presenças

Além dos já citados, participaram do encontro o vice-presidente do Sindimed, Dr. Argemiro Macedo, os diretores Dr. João Augusto, Dr. Brunno Goes, Dr. Alfredo Andrade, Dr. Carlos Spina e Dra. Teresa Cristina. O evento também contou com a presença de Radamés Passos, representando o secretário municipal da Defesa Social, André David; o tenente-coronel Leonilson Ubelino, representando o secretário de Segurança Pública, João Eloy; Jardel Mitermayer Goes, da Secretaria de Estado da Saúde; o vereador Maurício Maravilha; Núbia Bispo, presidente do Conselho Municipal de Saúde; e Joyce Peixoto, representando a deputada Lidiane Lucena.

Por Joângelo Custódio, assessoria de Comunicação Sindimed.