Presidente do Sindimed participa de reunião do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Sergipe

Data de publicação: 21/06/2024

Presidente do Sindimed participa de reunião do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Sergipe

 

Na manhã desta quinta-feira, 20, o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), Dr. Helton Monteiro, marcou presença na reunião ordinária do grupo ampliado do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal de Sergipe.

Pela primeira vez na história, o encontro ocorreu nas dependências de uma maternidade, a municipal Lourdes Nogueira, localizada no bairro 17 de Março, em Aracaju, e teve como objetivo a divulgação e discussão do relatório quadrimestral parcial da mortalidade materna, infantil e fetal, que tem apresentado números alarmantes nos últimos 10 anos, colocando Sergipe nas primeiras colocações em ranking nacional indesejado.

Conforme o balanço, de janeiro a abril deste ano, ocorreram 11 óbitos de mulheres. A maioria dessas mortes foi de mulheres pardas (46%) e pretas (27%), principalmente na faixa etária de 20 a 29 anos e com baixa escolaridade, apontando para um fator social.

Entre 2014 e 2023, foram notificados 7.553 óbitos de mulheres em idade fértil. Os óbitos são classificados em materno precoce, materno tardio, materna direta, materna indireta e materna não obstétrica. Já as principais causas identificadas foram síndromes hipertensivas (29,6%) e hemorragia obstétrica (17,6%).

Mortalidade Infantil

Os números da mortalidade infantil também foram apresentados. Assim como a materna, são importantes indicadores das condições de saúde e de vida de uma população. Sua taxa mede o risco de um nascido vivo morrer antes de completar um ano de vida, refletindo condições de vida e saúde, além do nível de desenvolvimento social e econômico.

Em Sergipe, de janeiro a abril de 2023, foram registrados 187 óbitos infantis, com uma taxa de 18,51. No mesmo período de 2024, foram 136 óbitos, com uma taxa de 14,50.

Em 2018 e 2019, Sergipe registrou o maior número absoluto de óbitos infantis da última década, seguido por uma leve queda em 2020 e um aumento em 2022, embora este ano ainda tenha o segundo menor número absoluto de óbitos da série histórica.

A mortalidade infantil é subdividida em três faixas etárias: neonatal precoce, que abrange menores de 7 dias de vida; neonatal tardio, de 7 a 27 dias de vida; e pós-neonatal, de 28 a 364 dias de vida.

Segundo o relatório quadrimestral, as principais causas de óbitos de crianças menores de 7 dias são: afecções maternas, complicações da gravidez, gestação de curta duração e baixo peso ao nascer, além de complicações da placenta.

Nas crianças de 7 a 27 dias, os motivos são: septicemia bacteriana, enterocolite necrotizante, afecções maternas não relacionadas à gravidez atual. Já nos menores de 1 ano, as causas são pneumonia não especificada, septicemias, malformações congênitas do coração, diarreia e gastroenterite de origem infecciosa.

União para evitar mais mortes

O presidente do Sindimed, Dr. Helton Monteiro, que também é membro do Conselho Estadual de Saúde, destacou que a pauta é urgente e que encontros promovidos pelo Comitê com as demais representações da sociedade são estratégicos para traçar planos que ajudem a frear tantas mortes.

"Essa reunião é extremamente importante, pois reúne atores de várias áreas, como pediatria, ginecologia obstétrica, serviço social e enfermagem para discutirmos soluções para reduzir esses números alarmantes. O Sindicato dos Médicos está à disposição para ajudar a diminuir esses índices preocupantes", disse o presidente.

Dr. Helton fez questão de lembrar que em 2023 o Sindicato, em parceria com a Sociedade de Pediatria e o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, havia alertado autoridades e sociedade sobre a elevação dos casos de mortes tanto materna quanto infantil, realidade classificada por ele como “inadmissível”.

“No ano passado, quando Sergipe beirava a ser o Estado com mais mortalidade do país, promovemos uma agenda de debates para que uma solução fosse tomada imediatamente. Parecia que ninguém queria para si esses números. Lutar para que nenhuma vida seja perdida, esse é o nosso papel e o Sindicato se coloca à disposição para contribuir e tentar agir para que Sergipe diminua ao máximo esses números”, afirmou.

A presidente do Comitê, Dra. Priscila Batista, enfatizou o papel da sociedade civil no enfrentamento da mortalidade. "O Comitê acompanha e monitora os indicadores de mortalidade materna, infantil e fetal. Hoje, discutimos o relatório parcial do primeiro quadrimestre de 2024 e as ações da Secretaria de Saúde para enfrentar essa situação. É um problema de toda a sociedade, não apenas do Governo, frisou.

Dra. Aline de Siqueira Alves Lopes, representante da Sociedade Sergipana de Pediatria, foi taxativa ao ressaltar que, apesar da leve redução da mortalidade infantil, não se pode esmorecer e todos devem continuar focados.

"Em relação à mortalidade infantil, nós tivemos uma pequena redução, que não nos autoriza a não continuar lutando. Está havendo um aumento do percentual de mortalidade dos bebês após um mês. Aí entra com muito peso a questão das pneumonias, da bronquiolite, da infecção, mas a mortalidade neonatal continua sendo o componente mais importante, que também é mais difícil de diminuir, porque envolve educação, o social, envolve tudo, envolve a saúde dessa menina antes dela engravidar. Então, realmente, envolve muita coisa. Mas a gente deve continuar sempre com o foco na mortalidade, não pode achar que está bom", sublinhou.

Presente à reunião, o secretário de Estado da Saúde, Walter Pinheiro, admitiu que ainda há muitas crianças e mulheres morrendo, contudo, ele destacou a importância de uma atenção primária mais eficiente.

" Eu estou tendo, aqui, a oportunidade de aprender bastante com todo esse atendimento sistêmico e a importância da atenção primária, que assim como em outras linhas de cuidado, se mostra bastante fragilizada. É colocar a nossa disposição e enfrentar, ter uma visão realista. É muito melhor que a gente se comunique, busque complementar as ideias para que a gente mude esse cenário que realmente é triste. Saio daqui melhor do que cheguei e confio muito na capacidade de todos de realmente a gente mudar esse cenário, que é muito mais social", disse o gestor.

Participação 

A reunião contou com a participação de diversas entidades, incluindo o Conselho Estadual de Saúde, Sociedade Sergipana de Ginecologia e Obstetrícia, Sociedade de Pediatria, Universidade Federal de Sergipe, Associação de Doulas, Pastoral da Criança, dentre outras entidades correlatas.

O encontro, aberto ao público, representou um passo importante na busca por soluções para reduzir a mortalidade materna e infantil em Sergipe, e o Sindimed continuará na constante mobilização para que nenhuma vida seja perdida.

 

???? Por Joângelo Custódio | Núcleo de Comunicação Sindimed.